PLANO DE GESTÃO E TRABALHO

Consulta Prévia à Comunidade Acadêmica para a Escolha do Diretor de Centro do CCSST


Proposta de Gestão e Trabalho
Professor Agnaldo Silva


PLANO DE GESTÃO E TRABALHO

Apresentação
Sinto-me deveras honrado pelo privilégio de disponibilizar meu nome para esta Consulta Prévia para a Escolha de Diretor de Centro do CCSST, Campus da UFMA em Imperatriz. Gostaria de pedir sua atenção e alguns minutos de seu precioso tempo na apresentação de nossa proposta de gestão para os próximos quatro anos - Março de 2016 a março de 2020. Estou convicto de que juntos poderemos fazer uma excelente gestão, mas para isto preciso de seu apoio e de seu voto. Tomei a liberdade de apresentar não apenas um plano de trabalho do tipo “prometo isto e aquilo”, mas que incluísse também a concepção de universidade e de gestão da coisa pública que defendo e que acredito ser possível construir.
Modelo de Universidade
A universidade é um espaço social relativamente autônomo, marcado por lutas e disputas entre os diversos atores que a compõem. Numa dimensão micro social esses atores compreendem os pesquisadores, os extensionistas, os movimentos estudantis e os demais grupos de interesses que existem no seio da universidade. Numa dimensão mais ampla esses atores correspondem às próprias universidades e demais instituições de ensino superior existentes no país. Nesse espaço social marcado pela hierarquia e pela disputa de um tipo específico de capital, o científico, os atores que ocupam uma posição dominante na estrutura desse espaço social tendem a impor suas visões e representações acerca da ciência e da própria universidade como se fossem as únicas visões e representações legítimas e verdadeiras acerca da universidade e do saber científico. A universidade é um campo de forças em que os atores dominantes lutam para manter e conservar o status quo, seus privilégios e posições de mando, enquanto àqueles que ocupam posições dominadas nessa estrutura resta se conformar e aceitar a realidade como ela está posta ou lutar para transformar as relações de poder e, consequentemente, todo esse espaço social chamado universidade.

Nesse jogo de poder, algumas universidades possuem mais prestígio do que outras. As universidades de pesquisa possuem maior volume de capital científico do que os estabelecimentos devotados apenas ao ensino. No seio de cada universidade há também uma hierarquia material e simbólica. Os diversos cursos também não são iguais em termos de prestígio. O mesmo se pode dizer acerca das áreas de conhecimento. Para algumas áreas parece haver mais verbas para a pesquisa científica do que para outras. A pesquisa traz mais prestígio do que o ensino ou a extensão e os cursos de bacharelado possuem maior valor simbólico do que os de licenciatura. Muitas destas hierarquias não podem ser mudadas de um dia para a noite, pois elas estão inscritas na realidade que a sociedade construiu ao longo dos tempos. Não é papel de um gestor público promover mudanças que estão fora de seu escopo, mas é seu dever compreender bem a lógica de funcionamento da universidade e dos atores que a compõem, a comunidade científica. Até mesmo porque nesse jogo de poder, os grupos sociais menos prestigiados tendem a ser silenciados, como não é raro acontecer nos conselhos de centro, no conselho universitário e até mesmo nos colegiados de curso em que a voz dos estudantes e servidores administrativos, quando não abertamente vedada, é, muitas vezes, controlada e policiada.
Para construirmos uma universidade verdadeiramente democrática e autônoma precisamos não apenas compreender a lógica de estrutura e funcionamento da universidade, mas também construirmos relações pautadas no respeito e na consideração de uns para com os outros. A participação de todos os atores e grupos sociais é de suma importância para a construção de uma universidade mais autônoma e democrática. E preciso dar voz aos estudantes. E preciso ouvi-los. Da mesma forma, os servidores administrativos precisam ser vistos e tratados como profissionais que estão a serviço do bem público. Não é preciso concordar com o sujeito que pensa pelos avessos, mas é preciso respeitar a todos. Até mesmo por uma questão cultural temos dificuldade de aceitar as ideias contrárias às nossas. Discordar de uma pessoa, no caso brasileiro, parece soar como uma ofensa. Ora! A universidade é o espaço do dissenso, das ideias inovadoras, das contradições, das críticas, mas também do consenso e da unidade de propósitos, sem os quais não chegaremos a lugar nenhum. Nesse sentido, precisamos de um modelo de universidade. Antes, no entanto, precisamos desconstruir o modelo de universidade que temos, pois ele está enviesado e engessado em práticas tortuosas, para, somente depois, construirmos outro, melhor do que o que temos.

1.   É preciso descontrair a ideia de que o diretor, por si só e pela sua própria capacidade, será capaz de promover mudanças substanciais e duradouras no CCSST. Sem o engajamento e a participação de toda a comunidade acadêmica num projeto de universidade mais autônoma e democrática estaremos fadados a permanecer como estamos. Todos nós precisamos entender qual é o propósito da existência do campus da UFMA em Imperatriz. A vocação do CCSST é ser uma universidade autônoma. É verdade que o diretor, enquanto gestor e representante de toda uma comunidade, tem papel fundamental nesse processo. Mas ele é mais um catalisador de forças do que um agente solitário no processo de emancipação ou de fortalecimento do campus.

2.    Outra ideia que precisamos descontrair é acerca do próprio modelo de universidade que temos. Quem nunca se desgastou por causa de uma sala de aula trancada, de uma chave “sua” que pegaram indevidamente, de um ar condicionado que não funciona, de uma ligação que precisava ser feita, mas que não deu certo. Sem falar naquela lâmpada que insiste em permanecer queimada ou com o reator com defeito e, logo, na sua sala de aula ou na sua “baia”. O que fazer ou a quem recorrer? Estas são questões pequenas, mas que afetam nosso ambiente de trabalho. Há alguns meses atrás houve um desgaste entre professores de dois cursos por causa de “baias”. Vejam a que ponto chegamos! Temos que pensar num modelo alternativo de universidade. Temos que celebrar os avanços e conquistas que já alcançamos, mas não podemos nos conformar com a realidade que temos. É possível construir uma universidade melhor, com salas para os professores no lugar das “baias”, com acessibilidade para aqueles que dela necessitam, mais democrática, aberta à comunidade, melhor organizada, mais funcional, melhor cuidada e, acima de tudo, mais autônoma.

3.   Outra prática que temos que desconstruir na universidade é a recepção dos novos servidores administrativos e de novos professores. Numa das gestões passadas do CCSST o então diretor, que não mais se encontra entre nós, recebeu um colega com os seguintes dizeres: “A UFMA não precisa de você”. Parece piada, mas é verdade. Minha própria experiência não foi uma das melhores. Fui convocado para participar de uma reunião de planejamento para a implantação dos novos cursos de licenciatura da universidade. Viajei de Goiânia a São Luís com todas as despesas por conta própria para descobrir que eu iria trabalhar num curso experimental, numa licenciatura interdisciplinar a partir de um tal de currículo por competências. Nunca tinha ouvido falar nisso. Tudo isso era novidade, para não dizer que era estranho. Éramos apenas três professores para iniciarmos um projeto experimental, a partir de metodologias que não nos era familiar. Um deles precisava ser o coordenador. Advinha quem foi o escolhido? As experiências foram boas e válidas, mas isso não pode se tomar um modelo. Quantos servidores administrativos, professores novatos ou mesmo coordenadores de curso passaram por um treinamento ou por um curso de capacitação quando iniciaram suas atividades na universidade? Este é o modelo que temos e que estamos reproduzindo até hoje, mas, de longe, é o modelo de universidade que desejamos e almejamos construir. E possível fazer diferente. E possível fazer melhor. Não dói e nem custa muito, basta desejar, planejar e executar. Esse é o papel do gestor.

4.   É necessário desconstruir também a ideia de que a universidade é um reduto de intelectuais e de pessoas extravagantes, obcecadas por laboratórios ou por teorias científicas. Nada contra os apaixonados por laboratórios. Isso é bom, mas a universidade não se restringe à sua comunidade acadêmica. Ela possui um importante papel social. A universidade precisa ser o palco da diversidade, precisa estar aberta à comunidade, aos movimentos sociais e a todos que estão à margem da sociedade. Cabe à universidade um importante papel político junto a toda sociedade, mas em especial junto aos grupos minoritários e a todos os que sofrem discriminação ou alguma forma de preconceito. A universidade precisa sair de seus muros, ir às escolas e às comunidades mais pobres. Precisa levar conhecimento, mas também trocar experiências e receber conhecimento. Precisa propiciar encontros de saberes tradicionais, junto aos grupos quilombolas, às quebradeiras de coco, aos povos indígenas e a todos aqueles que possuem um saber prático. A universidade precisa ser uma usina de pensamento, de ideias e de práticas. Todos os nossos cursos podem contribuir com essa aproximação da universidade com a comunidade.

5.      Outra desconstrução que precisamos fazer diz respeito ao modelo de universidade empresarial que tem sido implantado em muitos países e que tem chegado até a nós sub-repticiamente e, em muitos casos, aberta e declaradamente, por meio de terceirizações, financiamento público de instituições privadas, cortes de bolsas, redução orçamentária, etc. Com o processo de globalização neoliberal houve uma redução do compromisso político do Estado para com a educação e as universidades públicas de muitos países foram “descapitalizadas” e incentivadas a superarem suas crises financeiras mediante a geração de recursos próprios ou por meio de fontes alternativas de financiamento. Há uma tendência à privatização e massificação desse nível de ensino, fazendo com que tradicionais valores como a liberdade acadêmica e a autonomia universitária sejam substituídos por valores e princípios inerentes ao mundo dos negócios. Em meio à crise política e econômica que o país atravessa, a universidade pública é uma das primeiras instituições a terem suas verbas reduzidas. Nós já estamos sentindo esses cortes desde o ano passado. Precisamos defender a bandeira da universidade pública, gratuita e de qualidade. Precisamos criar as condições necessárias para que todos os nossos professores que desejarem possam se afastar para o mestrado ou doutorado. Precisamos criar as condições necessárias para que também os servidores se qualifiquem em suas respectivas áreas de trabalho e atuação. Precisamos melhorar a estrutura física e organizacional de nosso centro, incentivando e apoiando os centros acadêmicos e o movimento estudantil, para que eles possam ofertar cursos de língua estrangeira ou de qualquer outra natureza a todos nossos estudantes e a toda a comunidade de Imperatriz.

6.   Precisamos descontrair muitas coisas: algumas salas de aula na unidade centro para que se possa aproveitar melhor o espaço, a recepção, que são dois banheiros mal cheirosos, os espaços sem acessibilidade, os elevadores decorativos, algumas coisas que não temos e achamos normal, como restaurante universitário, moradia estudantil, etc. São tantas coisas, mas gostaria de apontar apenas mais uma, a falta de um programa de desenvolvimento institucional elaborado coletivamente. A universidade é uma usina de ideias e de conhecimento. Precisamos construir um fórum de debate e discussão acerca das questões centrais que envolvem a universidade e o saber/fazer universitário. Precisamos criar mecanismos de aproximação entre a comunidade acadêmica das duas unidades do CCSST, Centro e Bom Jesus, para que quando um professor, servidor ou estudante estiver na outra unidade ele não se sinta um estranho no ninho. Precisamos fortalecer os colegiados de curso, o conselho de centro e outras instâncias de deliberação coletiva para que tenhamos um projeto de universidade autônoma e democrática, em que todos se sintam incluídos e parte de um todo. A universidade é um espaço transepistêmico em que uma multiplicidade de saberes precisa ser discutido e uma multiplicidade de vozes precisa ser ouvida, para que se possa construir um modelo de universidade que transcenda aquela que temos. Assim, o diretor e todos os conselheiros e membros dos colegiados de curso representarão não a si próprios, mas os interesses de toda comunidade que representa.
Gestão
O campus da UFMA de Imperatriz precisa de um gestor que saiba gerir uma instituição pública. O gestor público precisa incorporar os anseios da comunidade que ele representa. Precisa ser um líder, mais do que um chefe ou gerente, infelizmente temos rnuitos chefes e poucos líderes. O gestor que não passa de um “chefe” centraliza as tomadas de decisão, retêm as informações e tem dificuldade de assumir responsabilidades. Em razão de sua insegurança, acaba culpando os outros quando algo sai errado. Sua autoridade baseia-se no cargo que ocupa e não no respeito conquistado pelo que ele é e faz. O chefe só pensa nele mesmo e faz de tudo para receber os méritos das conquistas alcançadas, mesmo que para isto ele tenha que anular os outros. O chefe ou gerente pode ser até eficiente no que faz, mas ele tem pouca autonomia para tomar as decisões mais importantes que afetam o destino da instituição que ele gerencia. Um bom gerente é como um excepcional profissional que organiza a melhor festa a bordo do Titanic. Por mais que ele seja bom no que faz, não tem a visão e nem a percepção dos icebergs que surgem à sua frente. O gestor que de fato é um líder, ao contrário, tem não apenas a percepção dos problemas a ser enfrentados, mas as saídas e estratégias que precisam ser adotadas para que a instituição que ele preside não se afunde nos problemas do dia a dia. Ele enxerga o futuro, enquanto os outros veem apenas os problemas. Isto não significa que ele tenha uma visão idílica do futuro. Pelo contrário, é justamente porque faz um bom diagnóstico da realidade que ele pode aplicar o “remédio” certo. O melhor remédio é o diagnóstico certo.

Qual é o diagnóstico de nosso centro? Um dos principais problemas que enfrentamos é o excesso de centralização nas tomadas de decisão por parte do campus sede da XJFMA em São Luís. Parece ser consenso que o CCSST padece de um mal crônico chamado “insuficiência de autonomia”. Como combater esse mal? Esta parece ser uma questão crucial. Mas, antes de pensarmos em combater esse mal, precisamos saber se estamos realmente dispostos a lutar por mais autonomia, pois não adianta reclamar que não temos autonomia se nós não fazemos nada para conquistá-la. Até mesmo porque se ela cair “de mão beijada”, não saberemos como administrá-la e usufruí-la. Além disso, precisamos pensar numa forma de transformar nossas fraquezas em força. Isso mesmo! Precisamos converter nossa dependência de São Luís em algo que nos fortaleça, para então podermos construir uma universidade mais autônoma e independente. Mas, como? Isto só se tornará possível se o gestor 1): for hábil e competente para construir relações tanto aqui quanto lá na ilha; 2): se ele souber mapear e identificar os problemas e entraves do centro e 3): o mais importante, se ele souber catalisar todas as forças para o desenvolvimento de nosso potencial de universidade autônoma e democrática.

1.    Um gestor de um campus de uma universidade pública não pode representar apenas um segmento, seja ele um sindicato, a reitoria ou qualquer outro que seja. Ele precisa ser autônomo para tomar as decisões e deliberações que concorrem para o benefício da comunidade que representa. Não pode ser dogmático, pois representa não seus próprios interesses, mas toda uma comunidade. Precisa entender que a comunidade dos professores não possui os mesmos anseios e necessidades que a dos servidores administrativos ou do corpo discente da universidade. Precisa entender também que cada grupo que representa é marcado pela diversidade de pensamento, de valores e crenças. O gestor tem o dever de saber ouvir as demandas e necessidades de cada grupo e transformá-las num plano de ação e numa estratégia de governo que redunde no benefício não de uma “panelinha” que se forma em torno do diretor, mas de toda a comunidade acadêmica. O relacionamento do gestor com os professores, servidores administrativos e estudantes precisa ser marcado pela honestidade, sinceridade e transparência.

O gestor precisa ser uma pessoa de caráter ilibado, confiável, pois sem a confiança daqueles que representa, está fadado ao fracasso. Veja bem! O gestor público precisa saber se relacionar tanto com a comunidade aqui do centro quanto com os gestores do campus sede, em especial com os membros da reitoria e das pró-reitorias. Não basta ter aptidão aqui e falhar lá. Para se relacionar bem precisa saber dizer “não” quando tem que dizer “não” e saber dizer “sim”, quando precisa dizer “sim”. Tem que respeitar os outros e a si mesmo, pois só pode dar o que tem.

Quando falta unidade de propósitos e uma boa comunicação, por mais que alguns se esforcem e trabalhe duro, a comunidade como um todo padece. É responsabilidade do gestor criar um ambiente de trabalho e de estudo favorável ao desenvolvimento da comunidade que representa. Para tal, precisa ser hábil para envolver toda a comunidade num trabalho coordenado, de forma que cada setor da universidade venha a desempenhar bem seu papel, contribuindo para o desenvolvimento harmônico e ajustado de toda a coletividade. Nesse sentido, o CCSST precisa construir um fórum permanente de debates e discussões que envolva toda a comunidade acadêmica acerca da universidade que temos e da que queremos construir. Sempre é possível melhorar. Quando isso ocorrer, todos os que minimamente se interessarem hão de saber a pauta da última reunião do CONSUN ou CONSEPE, bem como acerca do posicionamento de nossa comunidade quanto a este ou aquele ponto. Saberemos também que nossos conselheiros representam não a si próprios, suas ideias e percepções, mas os interesses da coletividade.

Nós temos duas opções: podemos continuar nos queixando de São Luís, dizendo que a culpa é deles, que não temos autonomia, que há uma centralização tacanha, etc., ou podemos assumir a nossa responsabilidade e nosso papel enquanto agentes de transformação social e, a partir de então, definirmos nossos propósitos e lutarmos pela construção de uma universidade mais democrática, autônoma e transparente. Não se esqueça! Um bom gestor faz toda a diferença. Ele é comprometido com a instituição que representa, doa-se aos interesses coletivos, deixa-se gastar em prol das causas e propósitos que defende e constrói com habilidade e competência os relacionamentos necessários para a pavimentação do caminho a ser trilhado para o sucesso da instituição que preside.

2.     Saber se relacionar é de fundamental importância para uma boa gestão, isto porque as pessoas são mais importantes do que as coisas que conseguimos ou a posição que podemos alcançar. Mas também não adianta ser boa praça e saber tratar bem a todos os colegas, servidores e estudantes se o gestor for incompetente no que faz. O processo é importante, mas os resultados são também imprescindíveis para o sucesso de uma instituição. Na universidade não é diferente. O gestor precisa saber mapear e identificar os problemas e entraves que impedem o CCSST de funcionar melhor. Não se esqueça! O melhor remédio é o diagnóstico certo. Para alguns isto pode parecer “conversa para boi dormir”, mas não é. Quando não se faz o diagnóstico correto não apenas dos problemas do centro, mas também de suas conquistas e potencialidades, o gestor corre o sério risco de se perder nos afazeres cotidianos, não conseguindo definir um propósito para suas ações e para o campus que preside. É muito comum o gestor se afogar nos problemas do dia a dia, que são muitos, e não conseguir fazer uma boa gestão. É preciso saber distinguir o que é urgente do que é importante. Quando não se tem claro o propósito da instituição que se preside, o gestor tende a se voltar e tentar resolver os problemas ditos “urgentes” que chegam à sua mesa, um atrás do outro, dia após dia, mês após mês, ano após ano. Quando isso ocorre ele tende a ser consumido por tais problemas. Sua agenda e seu tempo é gasto predominantemente pela resolução dessas “urgências”.

No campus da UFMA de Imperatriz é muito comum o diretor receber uma ligação de São Luís dizendo que ele tem que comparecer lá com urgência para participar de uma reunião ou evento daqui a três dias, mas quando ele chega lá descobre que o evento já estava marcado há meses atrás. Isso aí que é conversa para boi dormir. O diretor do CCSST não pode se deixar desgastar atendendo os caprichos de pessoas incompetentes, só para fazer média com o staff superior da universidade. Suas viagens ao campus sede são importantes, mas elas precisam ser planejadas, com propósitos definidos. Eventualmente o diretor precisará realizar viagens ou resolver problemas urgentes, mas sua agenda não pode ser toda consumida na tarefa de “apagar incêndios”, pois, caso contrário, nunca fará o que é importante e o que terá um impacto duradouro e significativo para a instituição que preside e para a comunidade que representa. Ser diretor de centro é coisa séria. Tem implicações seríssimas. Não se deixe enganar! Quando não se sabe aonde quer ir, qualquer caminho parece ser bom. Ainda bem que sabemos onde estamos e para onde precisamos e desejamos ir.

3.    Construir um bom ambiente de trabalho, marcado por relações de respeito e honestidade junto a seus pares e demais membros da comunidade acadêmica é o dever de todo gestor de uma universidade pública. Outro dever do gestor público é compreender os entraves e problemas que impedem ou limitam o desenvolvimento de nosso centro, bem como as suas potencialidades. O gestor precisa saber fazer a leitura correta da instituição que preside. Não pode se deixar “afogar” nos problemas cotidianos. Precisa ter a habilidade e a competência para catalisar as nossas forças e potencialidades num programa de desenvolvimento institucional, planejado e bem ordenado. Em meio às dificuldades orçamentárias e desorganização institucional precisa ter ânimo, capacidade e competência para transformar aquilo que nos é contrário em algo que concorra para o benefício coletivo.

O fato de termos um mestrado e uma equipe de pesquisadores competentes é algo que precisa ser mencionado e valorizado, mas isto por si só não basta para o que almejamos alcançar enquanto centro e enquanto futura universidade autônoma. O gestor precisa criar as condições necessárias para que outros mestrados sejam criados e que possamos ofertar também ao menos um programa de doutorado. Somos muitos, somos fortes, mas estamos desarticulados. Não basta termos professores que pesquisam e publicam de forma individualizada. Se almejarmos construir uma universidade melhor, mais autônoma e democrática, precisamos nos articular. Nesse caso, como em muitos outros, a gestão faz toda a diferença. O gestor precisa ter a habilidade para identificar as nossas potencialidades, saber em que áreas estamos mais bem servidos de doutores e pesquisadores. Precisa, além disso, construir uma rede de relacionamentos dentro e fora da universidade, junto à pró-reitoria de pesquisa e aos órgãos de fomento para o desenvolvimento tecnológico e científico da nação e, caso necessário, em outras instâncias do governo estadual e federal. Enfim, precisa saber o que quer e lutar pelo que acredita, transformando nossas fraquezas em força e aquilo que nos é contrário em nossos aliados.

Diante do exposto, há o entendimento de que não basta propor uma gama de ações e realizações caso o gestor não saiba construir relações significativas e emancipatórias, não saiba fazer o diagnóstico correto da instituição que preside e não seja competente para transformar nossas fraquezas em força e desenvolver todo nosso potencial enquanto centro e enquanto universidade autônoma. A questão é menos o que candidato propõe fazer ou deixar de fazer e mais sua visão e entendimento teórico e prático acerca da universidade e da gestão da coisa pública. O que ele fará vai depender de sua habilidade para encontrar alternativas em meio à crise que grassa pelo país e de sua capacidade para alistar e envolver outros atores no mesmo propósito: o de construir uma universidade mais autônoma. A seguir, de forma mais didática, apresentamos nossas propostas.

Meta
Construção de uma universidade mais democrática e autônoma e “pavimentação” do caminho que o campus de Imperatriz precisa trilhar para alcançar sua emancipação política e administrativa de São Luís.
Objetivos e Ações:
Cumpre dizer que nossa primeira ação enquanto gestor do CCSST será realizar uma pesquisa diagnostica acerca dos nossos problemas e do potencial que temos enquanto centro e enquanto futura universidade autônoma. Para esse fim, solicitaremos uma reunião com os professores, curso por curso, para sabermos seus anseios, sugestões, o que precisamos resolver ou melhorar no curso, no campus, na universidade, etc. Da mesma forma ocorrerá com os professores do mestrado em Ciências dos Materiais, com os servidores administrativos e com os estudantes.
Gestão e Recursos
·   Implantar uma gestão colegiada, democrática e transparente de modo a manter um diálogo aberto e respeitoso com todas as coordenações e com toda a comunidade acadêmica do centro;
·   Melhorar as condições estruturais e institucionais do CCSST e o ambiente de trabalho para professores e servidores administrativos, com vistas à minimização das fugas de cérebro de nosso centro;
·  Criar uma rede de relações com a Prefeitura Municipal de Imperatriz, com o Ministério Público e com a Polícia Militar, entre outros órgãos, para que a segurança dos usuários do campus Bom Jesus seja garantida e que ele seja abastecido com transporte coletivo;
·   Otimizar as idas a São Luís, de forma a conciliar as reuniões do CONSUN e CONSEPE com as outras demandas do centro;
·    Lutar pelo aumento dos recursos do CCSST e descentralizar as tomadas de decisão para que as coordenações de curso possam gerir um percentual do recurso público destinados às diárias e passagens;
·  Combater a cultura do “arranjo”, do personalismo e da falta de institucionalização dos procedimentos e trâmites burocráticos dentro da instituição;
·    Implantar o regime de trabalho de 30 horas semanais para os servidores administrativos, isto após estudo e deliberação coletiva, desde que não infrinja a legislação vigente;
·  Definir horários de trabalho para os funcionários administrativos de acordo com as demandas e necessidades do campus, buscando conciliar, sempre que possível, os interesses pessoais dos servidores em trabalhar em um setor específico da universidade com os interesses coletivos da instituição;
·   Zelar para que todos os servidores da UFMA, professores e servidores administrativos, cumpram seus deveres e obrigações enquanto servidores públicos;
·   Repaginar o site www.imperatriz.ufma.br, atualizando-o e tornando-o um instrumento de divulgação das ações do centro;
·    Divulgar mensalmente todos os gastos do CCSST (diárias, passagens, outros);
Capacitação profissional
·   Incentivar a capacitação profissional dos servidores administrativos das diversas áreas e frentes de trabalho deste centro, de modo a conquistar uma autonomia progressiva em relação ao campus do Bacanga;
·  Trazer cursos de capacitação para professores e técnicos para o CCSST, de modo a minimizar gastos públicos e melhor qualificar os profissionais deste centro;
·  Garantir o direito dos professores buscarem o aperfeiçoamento profissional nas suas respectivas áreas de formação, saindo para o mestrado, doutorado ou pós-doutorado, de forma a melhorar a titulação do nosso quadro de professores;
Graduação e Pós-Graduação
·   Ampliar a oferta do número de cursos de Graduação levando-se em conta a demanda do mercado de trabalho e a necessidade de se formar pessoas críticas e reflexivas para a constituição de uma sociedade mais justa e equânime em termos de classe, “raça”/etnia e gênero;
·   Provocar as coordenações de curso a pensarem em programas de Pós-Graduação Lato Sensu, de modo que estas possam servir de experiência e know-how para a constituição de Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu;
·   Mobilizar os professores doutores a se programarem, a partir de áreas de conhecimento ou de temáticas afins, para planejarem a criação de no mínimo três Programas de Pós- Graduação Stricto Sensu (mestrado e doutorado);
·   Apoiar e dar o suporte necessário para que o Mestrado em Ciências dos Materiais e todos os cursos de graduação funcionem adequadamente;

Ensino, Pesquisa e Extensão
·   Criar um comitê de desenvolvimento Científico e Tecnológico do CCSST, de modo a instigar a geração e disseminação do saber científico, além de assessorar e incentivar a formação de grupos de pesquisa;
·  Fomentar e incentivar o desenvolvimento de projetos de pesquisa e extensão desenvolvidos no CCSST;
·  Criar um grupo de articulação entre universidade e comunidade, de modo a articular os diversos trabalhos de extensão desenvolvidos no CCSST, além de provocar a aproximação da universidade com a sociedade civil organizada, com os movimentos sociais e grupos de pressão;
·   Realizar no âmbito do CCSST um seminário anual de integração entre ensino, pesquisa e extensão;
·   Criar um comitê responsável por captar recursos, divulgar editais e organizar ou assessorar a realização de eventos científicos de porte nacional e internacional a serem desenvolvidos no seio do CCSST, priorizando áreas do conhecimento que sejam transversais aos diversos cursos e profissionais deste centro;
·   Incentivar a criação de tempos/espaços para a realização de eventos culturais e artísticos no seio do CCSST;
·    Criar uma Revista Científica Eletrônica de cunho multidisciplinar do CCSST;
·   Criar um Caderno Eletrônico de Publicações do CCSST, destinado aos estudantes de graduação e pós-graduação que desenvolvem projetos de pesquisa, ensino e extensão;
·    Estabelecer parceria com o DCE e Centros Acadêmicos no sentido de organizar e ofertar cursos de língua estrangeira ou de outra natureza para os nossos estudantes e para a comunidade mais ampla;
Empoderamento do Interior
·   Construir uma articulação política nas diversas instâncias e campi da UFMA para que na próxima eleição para Reitor o CCSST tenha força política para indicar um nome para ocupar uma das Pró-Reitorias da universidade ou ao menos uma assessoria importante para as estratégias deste centro, como a Assessoria de Interíorização;
·  Ampliar o diálogo com outros campi da UFMA situados no interior do Estado do Maranhão, com vistas a fortalecer politicamente os campus e cursos do interior e desconstruir a visão de que a UFMA se reduz apenas ao Campus do Bacanga em São Luís;
Obras
·  Defender e lutar pela emancipação da Subprefeitura do Campus de Imperatriz, de forma que este tenha recursos próprios e autonomia;

·   Priorizar a conclusão das obras iniciadas, dando ênfase no prédio destinado ao curso de medicina;
·    Lutar pela construção de um restaurante universitário na unidade da UFMA do Bairro Bom Jesus;
·   Lutar pela Reforma, revitalização e ampliação da estrutura física das duas unidades de      CCSST;
·   Criar salas de aula e salas de professores mais decentes do que as “baias” existentes;
·   Propor a criação de uma sala multimídia em cada uma das unidades do CCSST, de modo a viabilizar a realização de mostras, documentários e filmes temáticos;
·   Lutar pela implantação de ao menos uma casa de estudantes;
Biblioteca
·    Lutar pela autonomia da biblioteca do CCSST para fazer o tombamento de livros, realizar aquisições e outros serviços pertinentes a este setor;
·    Encampar uma luta em defesa da ampliação do acervo da biblioteca do CCSST;
·    Realizar a aquisição de obras literárias e implantar o projeto de uma biblioteca comunitária;
·    Incentivar o uso da biblioteca por parte da comunidade, em especial os estudantes da educação básica da rede pública.
Obrigado por sua atenção. E, lembre-se! Nós não precisamos estar de acordo em todos os pormenores, mas precisamos estar abertos ao diálogo, no caminho e no rumo certo. Juntos nós podemos construir uma universidade mais democrática, mais autônoma e mais transparente. Conto com seu voto e com seu apoio.
Imperatriz, 18 de dezembro de 2015